quinta-feira, 26 de julho de 2007

PERGUNTAR É PRECISO...

Se o governo federal cada vez mais entrega os buracos, digo, as estradas do Brasil à iniciativa privada, o que vai ser feito dos recursos arrecadados com impostos que (antes...) serviam a esse fim?
Vai suspender a Cobrança?
Vai dar restituição ao cidadão?
Ou vai sustentar a máquina de moer carne do povo- a Câmara Federal e Senado?

terça-feira, 24 de julho de 2007

O avarento e o cão (conto)

Ouviu os primeiros tinidos do despertador, ainda estava frio e escuro. Levantou-se, calçou um velho e puído chinelo de pano, e arrastando os pés, foi até a cozinha fazer um café.
Se havia um defeito que não poderiam impingir-lhe era ser preguiçoso. Sempre fora homem de coragem. Não havia geada, solidão nem mesmo bandido que lhe metesse medo. Quando chegara, ainda jovem, em Curitiba enfrentou um bandido na ponta de facão.
“Ah, bobagem!” Pensou, de lá pra cá tantos anos se passaram... Hoje em dia, proprietário de uma boa mercearia com ‘anexo para entretenimento’ (o que as pessoas costumavam chamar de “bar”) era um homem quase realizado.
“Quase?” Assustou-se com o próprio pensamento, por que “quase”? Tinha sua vida independente, solitária é verdade, mas, não dependia de ninguém pra nada. Além de condições para se manter, ainda era um homem forte, saudável... Nem aparentava os 65 anos que a identidade acusava.
“Deve ser olho gordo, inveja dessa gente que vem comprar na mercearia e pede pra fazer desconto! (Fiado, nem pensar.) Umas mexeriqueiras que vêm com um papo de: “Seu Juca, o senhor está bem? Ô seu Juca, esse tomate tá meio passado, não dá pra ficar mais barato? Mas o que aconteceu, o senhor tá doente?”
Êita gentinha mais invejosa do sucesso dos outros. Não fosse por um pouco de distração, já teria vendido o comércio. Mas também não ia dar o braço a torcer. Sabia que pelas costas, alguns fregueses chamavam-no de pão duro, munheca.
Pegou a chaleira com a água fumegante e passou a primeira coada de café no filtro de pano – não era propenso a essas coisas da modernidade, como filtro de papel. O gosto não era o mesmo, além disso, ficar gastando um filtro toda vez que quisesse tomar um cafezinho, iria acabar saindo caro. Olhou pela janela da cozinha e viu o gramado branquinho coberto de gelo.
Então, estava se cansando daquela vida... Mas, o que faltava? Não poderia almejar algo muito diferente do que tinha, analisou enquanto a água formava um redemoinho com o café. Definitivamente não precisava de mais nada. Nunca fora muito ambicioso, estava bem vivendo assim.

Tomou um gole de café preto, sem açúcar ainda observando a geada que sufocava a grama. Largou a caneca sobre a mesa e foi lavar o rosto na água fria. – Dizem que é bom pra saúde, revigorante – falou em voz alta para si mesmo.
Já na frente do Bar e Mercearia São João, sentiu uma fisgada na coluna ao tentar abrir a porta de ferro. Levantou-se, pôs a mão nas costas e tentou endireitar a coluna antes de se abaixar para a segunda tentativa. “É o frio, talvez seja algum tipo de reumatismo...” pensou enquanto forçava a própria coluna para trás. Nesse momento viu-o pela primeira vez.
Seu Juca preferiu disfarçar num primeiro momento baixar os olhos, fingir que não tinha visto. Ele, no entanto, não parecia dar-se por vencido, aproximou-se mais um pouco, olhos tristes, mas a cabeça altiva, como que a sondar o dono da mercearia, que se voltou para o esforço da porta e mais por obrigação do que por vontade, disse:
- Passa pulguento, passa!
O bicho, não se deu por rogado e ensaiou abanar o rabo para ele.
“Era só o que me faltava. Além de freguesa pedindo desconto, bêbado no balcão, agora um sarnento na frente do meu estabelecimento!” rosnou consigo mesmo, e insistiu:
- Sai cachorro, sai daqui!
O cão, pêlo castanho, orelhas pontudas e que, ao contrário do que supôs seu Juca, não era sarnento, virou-se e saiu com a sua dignidade de vira lata. Não tinha pedigree, era mais um cachorro marginalizado por gente mesquinha. Apenas um canino abandonado.
O dia ia seguindo como de costume para seu Juca. Um ou outro freguês tomando uma dose de conhaque pra se esquentar, e outros a de pinga “pra firmar o pulso”. Perto do meio-dia alguma senhora atrás de uma verdura ou ovos para a mistura do almoço.
Foi o taxista Chico, quem deu o alarme:
- Então o amigo arrumou um cãozinho pra lhe fazer companhia?
- Arrumei o quê?! Mas eu não...

Deu a volta no balcão, olhou para fora e viu na calçada o mesmo cachorro que vira pela manhã. Naquela hora percebeu que algo iria acontecer e aquela história não ia acabar bem.
Parecia premonição. No final do dia lá estava o cão de novo na porta como a sondar-lhe os pensamentos.
E assim sucedeu até que passadas duas semanas, o cão já recebia afagos dos clientes, saudava latindo seu Juca todos os dias. E estava se tornando figura conhecida no bairro.
Seu Juca um homem de princípios, teve seu orgulho ferido quando o primeiro freguês censurou-lhe a displicência;
-Mas não é possível que até hoje o senhor não acolheu esse bichinho que lhe quer tão bem... Deixa ele no frio dia e noite...
- Onde já se viu isso Antonio, bicho ter sentimento, querer alguém?
Então o dono do bar começou a perceber outras pessoas cochichando, fazendo questão de dar comida pro cachorro na sua frente.
E, pensando bem o cão parecia simpatizar com ele. Não era doente, nem sarnento, só mal cuidado.
Não. Levar pra casa era demais! Ele ficava fora o dia inteiro, não tinha como cuidar do bichinho. É a idade, pensou, além de velho parece que a gente vai ficando meio bobo.
Por isso, levou tempo pra quem não viu a cena acreditar. No dia seguinte, com madeira e ferramentas nem abriu a mercearia no horário habitual, passou mais de 2 horas serrando, pregando e bufando, e ao final da trabalheira, a obra prima: uma casinha de madeira novinha.
Sentando no chão, suado e ainda admirando sua obra, seu Juca num desses arroubos que ninguém explica, estendendo as mãos aceitou uma lambida de agradecimento do cão e olhos marejados, disse:
-Vem ver Nestor, vem... Papai fez uma casinha pra você.


*****Inscrevi esse conto num concurso. Ficou entre os 10 melhores(!!!) O prêmio seria a publicação junto com os demais premiados. Por corte de verba, o livro não saiu até hj...Vai ser azarada assim na PQP :S

Finaly!

Finalmente vou seguir os conselhos de amigos e começar a escrever minhas histórias, antes que esqueça os detalhes.

Além disso pretendo "meter a colher" em vários assuntos que estão por aí/por aqui... E vocês, por favor, concordem, discordem, desliguem o computador...Sei lá! Só não fiquem indiferentes até porque é na(s) conversa(s) de bar que surgem as soluções do mundo. Quem sabe não começamos por aqui??!

É isso ; )

Em breve, historinhas e opinião pra vcs.